25 novembro 2017

Meu 1º ano em Portugal: o terror da adaptação


Sabe aqueles dias que você pensa que tudo vai florescer e quando você chegar ao país que escolher para estudar ou para morar o coelho de Alice vai entrar novamente na toca e tudo será mil maravilhas? Pois é, isso não aconteceu comigo.
A expectativa era alta. Sair do calor escaldante da minha cidade, de Ribeirão Preto, para ir a um país com as quatro estações era uma vitória imensa para mim, afinal, eu desejava conhecer o frio ardentemente, mas nunca aconteceu. Essa seria a primeira vez.

Na minha mala, quase nada de roupa para a ocasião. Eu chegaria no início de março, no final do inverno e começo da primavera. Logo quando desci no aeroporto do Porto senti a diferença climática entranhar meu rosto como arame farpado. Havia sangue no meu nariz e eu tremia muito. 
- Meu Deus que frio, socorro.

Minha garganta perdera a voz e doia... o que eu vou fazer?
Naquele momento eu tive a certeza que ia sofrer com aquele frio que eu tanto queria.
No primeiro mês eu chorei de frio. Certa vez, fui deitar para dormir e coloquei várias roupas no corpo e me cobri com todos os cobertores e lençóis que tinham, mesmo assim meu corpo doia no gelo. A água da torneira vinha como se fosse da geladeira, trincavam meus dentes quando fui fazer a higiene matinal. Minha pele branca ficou com erupções vermelhas pelo ressecamento e começou a produzir uma quantidade de óleo que nem na adolescência eu experimentei:resultado, um banho de acne.

Meu corpo pirou. Eu sentia cólicas que nunca tive naquele misto de oleosidade da pele e das acnes de adolescente. Ah, o mais curioso é que meu estômago roncava muito e muito alto a ponto de ser ouvido. Para acrescentar, eu compartilhava os mesmos sintomas com a outra estudante que veio no mesmo dia que eu, mas ela se viu tão estranha que foi procurar um médico.

Na parte da gastronomia, nas duas primeiras semanas eu passei muito mal. Aquela comida era muito diferente. Eles usam muitos ovos e carne de porco e muito azeite na comida, parece que passei gloss nos lábios.

No sexto mês, o estômago não roncava mais e nem me doia o corpo. A oleosidade abrandou, mas continuava. Coisa que não me adaptei foi com aquela calçada esburacada de Coimbra Aquilo era patrimônio histórico, mas eu ainda caía sem ter bebido vinho.

Essa transformação é sofrida, mas a lagarta tem tem que virar borboleta.
Ao fim de quase um ano, estava eu a chorar por ter que largar tudo aquilo. Coisas que odiei e que ainda não gosto fizeram parte de mim. 
E você, está preparado para a grande mudança?

Voe!
Carol Bianco

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