18 novembro 2016

A dança dos irlandeses: A Irish cider da alegria


Quando a pista de dança lotou, eu os vi. Totalmente sem sincronia, não encontravam as batidas da música. A melodia era, para eles, somente um elemento, não fazia parte de seus corpos. Achei muito engraçado e compreendi. A felicidade deles era tão grande que me contagiou. Eles riam e dançavam sem saber dançar e, mesmo sem sabendo, formavam sua própria dança. Isso vale muito mais que o ritmo arredondado do carnaval brasileiro, pelo menos para mim que não sei sambar! E meu coração ainda pulsa no ritmo daquele arrítmico dia.
  

Naquele dia fomos ao pub tomar uma pint e uma cider, a deliciosa cider da alegria em versão strawberry lime. Era um pub que eles chamavam de gay, mas para mim, era tudo a mesma coisa: amor não deveria ter sexo.  

Muitos ruivos e loiros tomando cerveja. Havia um segurança indiano com sotaque completamente britânico. Tão britânico que meus olhos se apaixonaram por aquela língua quando conversamos. Seus olhos me seguiram a noite inteira. 
  
A pista de dança abriu. Música eletrônica e balada corriam na pista. Eles não tinham vergonha. A pista estava vazia. Nós, brasileiros, estávamos imóveis quando uma irlandesa sem vergonha levantou e foi dançar sozinha na pista. Ela era como Natasha, do Capital Inicial, e pneus de carro cantavam...



Carol Bianco



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