20 maio 2016

Segunda infância no Phoenix Park: bicicleta, Ray-Ban e piquenique (Irlanda)


- Última vez que andei de bicicleta, eu tinha dezessete anos, faz doze anos já, você acha que vou conseguir? 
- Nosso cérebro tem memória, não esquecemos nunca. Let's do it.
Naquela tarde de sol, sol europeu, decidimos ir ao Phoenix Park. Segundo os brasileiros disseram, esse é o maior parque da Europa e era próximo de casa. Estava louca para andar de bicicleta. Via nos filmes aqueles casais passeando juntos, entrecortando o verde dessas terras tão vivas, e eu gostaria muito de tentar. O frio congelava até meus cabelos mas, decidida, resolvi ir. Coloquei um lenço de seda cor de salmão com pequenas flores estampadas, um casaco preto que comprei nessas lojas de chinês. 
O Ray-Ban não podia faltar, era tudo tão mágico que eu me sentia como a Cinderela em versão leprechaun. Alugamos as bikes por 10 euros a hora. Que caro! No centro da cidade é muito mais barato, Eu não me importo, só quero estar aqui. Permaneci com meu Aviator e fui. 

Não consigo sair do chão, que medo de cair. Não pare, siga em frente. Minha perna direita tremeu, ensaiou uma queda. Aos poucos, tomei força e lembrei das aulas de motocicleta que tive (tinha habilitação mas não praticava). E assim fui subindo... Comecei a gritar o nome de minha colega que estava lá na frente, misturando à felicidade muitas risadas, e sempre perdia o ar. Eu a via trêmula naquele mecanismo e ria, mas eu deslanchava como alguém que tinha experiência em pedalar. 

Não queria parar. Pedalava e, envolvida naquele esforço todo, não suava, o frio secava todas as lágrimas do meu corpo. Por fim, paramos no meio do verde e tentamos um piquenique, nunca o pão de forma esteve tão saudável. Deitei no regozijo dos tons de verdes e agradeci a Deus por estar ali. A nova Cinderela chegou. Aguardava, agora, meu leprechaun favorito.

Carol Bianco

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