16 maio 2016

Brasil X Portugal: os europeus são mesmo mais honestos?

Eu precisava alugar um quarto num lugar que não tivesse barulho. Os estudos eram fortes, eu precisava de silêncio e paz para conseguir prosseguir com a pesquisa. Ignorância achar que tudo eram flores, mesmo perto da primavera, e que o mundo era parecido com aquele arco-íris tão amado por mim. 


Pesquisei a sonhada moradia por dois meses, antes da viagem. Perguntei para pessoas, grupos, amigos de amigos, comunidades, mas não senti confiança em arrendar nada via internet. 

- Fulana, onde vamos morar? Você já conversou com algum senhorio?
- Não, beltrana, está difícil.
- Precisamos de um lugar calmo para continuarmos com a pesquisa.

Encontrei, numa comunidade, fotos de um estúdio muito bonito. A decoração era em tons de roxo e vermelho e parecia tão moderna, invadindo os historicismos daquela linda cidade pretérita. Marquei uma visita. A condição para eu ficar lá era sempre a mesma... há barulho nesta rua? Andei ao derredor, vi bem as casas, as pessoas, o comércio. Não havia nada estampado ali. Parecia um lugar deserto só com casas e um ou outro restaurante. Era perfeito. 


A agente me disse a mesma coisa, não havia barulho, era perfeito para estudar. O senhorio, dono do imóvel, confirmou pessoalmente comigo, a calma do ambiente, dizendo para confiar em sua palavra de português. Agora via como os brasileiros tinham má fama nesses lugares. Somos conhecidos por enganarmos pessoas, dando um jeitinho em tudo, pelo menos era essa a recepção que eu tive. Europeus parecem, muitas vezes, canonizados perto de nós. Eu sempre achei isso, e me entreguei.


O caução foi caro, mais o aluguel, quase mil euros para estar ali naquele quarto. Um horror. Fiz a mudança contente. Já no primeiro dia, numa terça-feira, eu não dormi. A rua era toda composta por night clubs disfarçadas. Nada tinha placa ou banner, eram como casas, e as pessoas ficavam embaixo da minha janela gritando, bêbadas, até o amanhecer. Eu estava morando na Praça da República da linda Coimbra. 
Quatro dias sem dormir. Tive que mudar para um estúdio mais caro, do mesmo dono. 

E sua palavra, baby?
Acho que ficou presa na imensa literatura do lugar.

Carol Bianco

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