15 fevereiro 2016

Diário de viagem #1: A primeira vez a gente não esquece. Chegando em Portugal


   
Olá intercambistas, how are u doing? Esse é meu primeiro post no blog e estou muito feliz por estar aqui. Quero contar para vocês minhas aventuras na gringa. Tive momentos delirantes e acho legal compartilhar com o pessoal que está pretendendo viajar.
Bom, eu jamais tinha andado de avião na minha vida, foi minha primeira vez. Tudo aconteceu quando decidi fazer uma parte do doutorado na zôropa, então corri atrás. Na verdade, desde criança eu sonhava em conhecer o continente. Somos de família de italianos e cresci com essa cultura. Além de tudo, eu amo literatura e o contato com os livros sempre fez minha imaginação aguçar ainda mais. O grande problema, era o terrível medo de avião que eu tinha. Pânico... fobia... Só de imaginar em estar nos ares, fazia eu me sentir mal.

Mas uma hora a gente tem que ir... Então foi assim que tudo começou. O país escolhido foi Portugal, a cidade era Coimbra e eu estava indo morar 9 meses lá. Fiquei 4 meses planejando a viagem. Tirei meu passaporte, comprei os euros, comprei a mala (confesso que comecei arrumar a mala 1 mês antes rs), peguei minhas coisas e fui. Cheguei sã e salva no aeroporto de Guarulhos. Sou do interior de Sampa e tive pouco acesso à capital durante minha vida. Meu desafio maior era chegar sozinha  no aeroporto de Guarulhos com aquelas malas todas e 2 mil euros escondidos no corpo. Não tinha noção nenhuma da vida e estava completamente assustada. Quando pensava no avião decolando, vinham as lágrimas. Mas fui forte... engoli o choro e enfrentei. 

Logo quando cheguei no aeroporto fiz amizade com dois rapazes. O pai e o filho que estavam indo para Madrid pela mesma companhia aérea que eu. Meu voo fazia conexão em Madrid também. O rapaz, da minha idade, estava assustado também, pois nunca tinha pego avião. O pai dele já tinha, estava mais tranquilo e me guiou o tempo inteiro, ficamos amigos. O terror do avião me congelou. Quando decolou, tive várias tonturas, achei que iria cair. Peguei aqueles travesseirinhos da Ibéria e tampei o rosto. Desceu uma lágrima. Os meninos rolavam de rir ... rs. Quando chegamos em Madrid, me despedi dos rapazes e tinha a missão de encontrar minha plataforma. Não falava espanhol, eu não sabia ler as placas. Fiquei os 4 meses anteriores à viagem tentando informações com quem já tinha viajado. Era tanta informação que eu já não assimilava mais. Descobri a plataforma e o portão era algo difícil, sobretudo porque no segundo ticket que peguei no check in, não tinha os números. Eu só ouvia dizer que faltavam 15 minutos para o voo de Madrid ao Porto, então eu comecei a correr. Esse aeroporto é péssimo. Não tinha funcionários quase. Uma mulher que estava lá, não entendia português. Ela apontou com o dedo e eu segui o fluxo. Pelo que entendi, eu deveria pegar um metrô para chegar na minha plataforma. E o tempo voava... 

Passei pela imigração sem saber que era a imigração. Tinha ouvido tantas histórias dos brasileiros dizendo que a imigração espanhola me pediria uma pasta de documentos, mas quando cheguei na cabine e sem entender que era a imigração,  não pediram nada. Só olharam para mim e para o meu passaporte, e eu segui o fluxo. Me perdi naquele aeroporto. Não havia o número do portão no ticket, só tinha no painel.. mas como eu não sabia ler o painel e não estava entendendo o processo, eu não vi. Estava uns 3 ou 4 graus no inverno da Espanha. Eu corria tanto que só sentia meu corpo suando. Quando vinha a lágrima, eu engolia, pois eu sabia que se eu chorasse, perderia as forças para correr com a mala e não conseguiria encontrar o portão. E eu ouvia.. "5 minutos para o Porto.".. Foi então que comecei a gritar em inglês no aeroporto.. Help me sir, help me. Sim, eu gritei. Estava desesperada. Um homem inglês estava na minha frente (na hora eu achei que ele era britânico rs). Ele viu meu ticket e começou a correr comigo e me mostrou o portão: era o último.

Peguei, então, a conexão e fui. Naquele momento, o cansaço era tanto que eu não consegui ficar acordada. Já estava há quase três dias sem dormir. Sou ansiosa, sempre fui. Nem 2 comprimidos de dramin me derrubaram. Mas quando estava naquele avião para o Porto... não aguentei. Fechei o olho e acordei em Portugal. Que felicidade. 
Mas só até aquele momento...  

Em breve, 2ª parte.

Carol Bianco

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